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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Simplesmente!

Simplesmente, contemplando, agitando
O pensamento em vôo cadente, ondeando
Horizonte longíquo, inalcansável

Silhueta caída, perdida, fingida
Afectos desfeitos, iludidos no nada
Esperança rarefeita, descaída

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A vida de D. Afonso Henriques em 60 min

As crianças sentadas nas cadeiras dispostas em quatro filas jogam nos telemóveis, experimentam a câmara digital tirando fotos uns aos outros (ignorando a magnífica paisagem que se estende até à baia de Setúbal). São miúdos que conhecem todos os segredos desses gadgets tecnológicos e atentos a todas as novidades que saem, prontos a explorá-las sem demora.

As suas expressões denotam o que lhes vai na mente: "Que seca. Mais uma actividade cultural imposta pelos pais" (muitas vezes pelos avós)." São distibuídos os panfletos contendo toda a informação sobre a peça. Os adultos dizem-lhes para ler o resumo...

"Este é um retrato do nosso primeiro rei com suas glórias e vicissitudes, com suas conquistas e suas derrotas. O retrato de uma criança que herda um pedaço de terra lá para os lados de Astorga, de um adolescente que aprisiona a mãe, de um guerreiro que mata e que saqueia e que se zanga com o papa, de um conquistador temível que em nome do reino de Deus ataca sempre de surpresa, de um velho friorento que se liberta das mãos dos castelhanos e morre aprisionado nas memórias e nas imagens de todos nós."

... e explicam aos mais distraídos, e menos interessados pelo que faz parte de um passado longíquo, quem foi Afonso Henriques, o que é um poema épico de tradição oral e o que são crónicas.

Começa a peça, registam-se imagens:




De início os mais pequenos receiam o pior, principalmente na cena de enterro do pai de Afonso Henriques:



Mas pouco a pouco esse pressentimento vai desvanecendo-se. Ao longo de 60 minutos assistimos numa sequência de cenas coreografadas de forma simples, com recursos exiguos e com momentos de grande comicidade ao desfile da vida do conquistador e às suas grandes conquistas. A narrativa é simples e feita pelas personagens intervenientes, o humor é introduzido em momentos cruciais e a interacção com o público é um elemento de presença constante.

As gargalhadas ecoam entre as paredes do castelo, a atenção está inteiramente centrada no que se passa naquele pequeno espaço pavimentado a preto e branco. Acompanham-se as acrobacias, os gestos exagerados, as intervenções nonsense. E no fim Afonso Henriques afigura-se como uma personagem divertida, corajosa e "bué da fixe", mesmo depois da última cena carregada de dramatismo.

"Pai, afinal a Idade Média até era fixe e o Afonso também" ouve-se no final da peça.





Companhia de Teatro "O Bando"
Duração 60 minutos
Espectáculo estreado em Novembro 1982
Recriação estreada em Outubro 2009
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