"Fecha os olhos e concentra-te na escuridão.
Era este o conselho que o meu pai me dava, quando era pequena e não conseguia adormecer. Acho que agora ele não quereria que eu o fizesse, mas, de qualquer das formas, dediquei-me plenamente à tarefa. Estou concentrada nessa escuridão imensa que se estende muito para além das minhas pálperas fechadas. Apesar de estar deitada no chão, imóvel, sinto-me como se estivesse empoleirada no ponto mais alto que pudesse estar, a tentar agarrar uma estrela no céu nocturno, com as pernas a balouçar por cima do vazio negro e frio. Olho uma última vez para os dedos que envolvem a luz e liliberto-a. Então desço, primeiro em queda livre, depois a flutuar, e novamente em queda, e espero pela aterragem na minha vida."
É assim que a autora de P.S. - Eu amo-te começa a sua obra recentemente traduzida para o Português. A história desenvolve-se ao estilo de uma comédia romântica, com o intuito nítido de se assemelhar a um argumento. A leitura é agradável e facilmente se consegue imaginar a personagem principal como protagonista num filme ao estilo do "P.S. I love you".
Saltitando entre os subúrbios de uma Irlanda conservadora e a metrópole londrina, perpassada pelo humor britânico, conferido pelas personagens estereotipadas, as suas "saídas" e comportamentos inesperados, a autora veicula de uma forma sublime a temática do encontro fortuito, cuja causa poderá ser mais ou menos controversa nos meios científicos.
Depois de um episódio infortuno, que a leva a uma depressão e à análise da sua vida até então, a personagem principal embarca na busca da sua verdadeira identidade, num toca e foge constante até, finalmente, aterrar no seu verdadeiro "eu" e nas escolhas que à partida seriam as mais certas.