quarta-feira, 25 de junho de 2008
Um comentário final
Instintivamente sabia que algo não estava a correr de feição, sabia que havia diversas forças invisiveis que a puxavam para caminhos distintos. Teria agora a certeza de quem a influenciara nos últimos anos? Sabia apenas que os últimos anos tinham sido uma prova dura a toda a sua existência. Todas as contrariedades, todas as lutas que a envolviam e que muitas vezes não se apercebera tinham-na tornado em alguém distante e longe do que sonhara vir a ser. Concluia que estava só e que tinha uma mão cheia de oportunidades que qualquer ser-humano ansiava ter, mas tinha também muitos opositores que trabalhavam na penumbra para a destabilizar e desencorajar, tal como antes anos a tinham encorajado e incentivado para iniciar algo de que tiraram o máximo proveito. Escamotearam toda a sua existência, a sua natureza e a sua intimidade, em nome de uma vingança? em nome de uma religião? Pouco de si ficara intacto e as marcas de amargura iriam ficar indeléveis. Olhando para trás diria que fora o pino de jogos de interesses que se situavam bem acima da sua pessoa. Os que se julgavam agora em posição superior não sabiam que ela não tinha estado em luta contra ninguém e que o estado de vantagem que julgavam ter alcançado nada lhe dizia. O Ser e o Ter podem complementar-se se o ser-humano deixar de ser mediocre e mesquinho. Sabia que as suas acções tinham sido alvo de julgamento no decorrer dos últimos 12 meses, mas nunca ninguém parou, fixou o olhar nela e lhe perguntara "Estás bem?", "estás a sentir-te bem?", ou se tinha sentado à sua beira e simplesmente apertado a mão. Mas neste mundo terreno e materialista isso superfluo e desnecessário quando se tem dinheiro e poder.
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