terça-feira, 20 de outubro de 2009
Declarações polémicas de Saramago
Evidentemente, o objectivo principal é chamar a atenção para a sua última obra. Com estas declarações polémicas desperta o interesse do público crente e ateu. A leitura da obra será feita por uns, para constatar se Saramago de facto leu a Bíblia, e por outros por concordarem com as declarações emitidas. O tempo dirá se a estratégia teve sucesso em termos de volume de vendas.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
A traição na Bíblia
A Traição
Também a este nível a ceia fornece uma imagem dramática: «Há alguém entre vós que me vai denúnciar», diz Jesus. todos ficam horrorizados. «Não, não pode ser. Mas quem será?», murmuram eles. «Aquele, a quem darei o próximo pedaço de pão, é um colaboracionista» disse Jesus e passou uma fatia a Judas Iscariote. O seu nome, com a sua vaga semelhança com a palavra «judeu», tornar-se-ia, aos ouvidos dos cristãos, para todo o sempre a própria essência do traidor Judeu. Depois disso, Jesus dirige-se ao Monte das Oliveiras e, a braços com os seus sentimentos de morte, tem uma insónia, ao passo que os seus companheiros, pouco solidários, dormem o sono dos justos. Entretanto, Judas leva os funcionários da secreta para junto de Jesus e, com um beijo fraternal, mostra-lhes quem devem prender. Por esse serviço, recebeu trinta moedas de prata. Tirando Pedro, que corta uma orelha a um polícia, os companheiros desatam a fugir. O próprio Pedro, mais tarde, já não quererá saber de Jesus e negará tê-lo alguma vez conhecido.
domingo, 20 de setembro de 2009
O estado das coisas
Apontar o dedo ao próximo é a coisa mais fácil. Ignorar o seu desespero, as suas boas-intenções ainda mais. Mas, como diz o ditado "de boas intenções está o inferno cheio".
Ajudar, dar e amar sem pedir nada em troca é bem mais dificil. Dar ao longo de anos e anos o que é nosso e receber como agradecimento constante a crítica e a acusação faz qualquer Santo querer deixar de o ser.
Somos todos humanos com defeitos e virtudes, ninguém é superior a ninguém. As manifestações do "EU" podem ser constantes em qualquer indíviduo, mas o outro está sempre presente. A negação e a recusa têm sempre por base uma experiência negativa.
Faz-se de tudo em nome da ordem instituida, humilhar, acusar, difamar, negar, pisar, desrespeitar e, o que mais incomoda, mentir, dissimular, enganar em prol da manipulação e "enfiá-lo no sapato dos outros". Há um limite que não deve ser ultrapassado.
domingo, 13 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
E(n)volução
Sem querer envolver-se em demasia.
É uma evolução técnica, racional e...
A uma velocidade inebriante...
Os valores morais são postos em causa,
Os sentimentos pelo próximo são renegados
para segundo lugar.
E fica:
o "EU" e o pensamento racional
o "EU" e o passar do tempo
o "EU" e a competição com o outro
o "EU" e a sede de vencer a todo o custo
A vitória enche-nos de um sabor doce
O mundo admira-nos, quer-nos conhecer
Continua a ficar o "EU" cheio de EGO
E de desprezo pelos que julguei e desprezei
O "EU" sou vitorioso
O "EU" com jogo de cintura
O "EU" cheio de demagogia
O EU!!!!
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Mensch zu Mensch
Menschen, Menschen alle, streckt die Hände
Über Meere, Wälder in die Welt zur Einigkeit!
Dass sich Herz zu Herzen sende:
Neue Zeit!
Starke Rührung so11 aus Euren Aufenthalten
Flutgleich wellen um den Erdeball,
Mensch-zu-Menschen-Liebe glühe, froh verhalten,
Überal1!
Was gilt Westen, Süden, Nähe, Weitsein,
Wenn Euch Eine weltentkreiste Seele millionenfältigt!
Euer Mutter-Erde-Blut stromend Ich- und Zeitsein
Überwaltigt!
Menschen! Alle Ihr aus einem Grunde,
Alle, Alle aus dem Ewig-Erde-Schoss,
Reisst euch fort aus Geldlkampf, Krieg, der Steinstadt-Runde:
Werdet wieder kindergross!
Menschen! Alle! drängt zur Herzbereitschaft!
Drängt zur Kronung Euer und der Erde!
EiniggroBe Menschheitsfreunde, Welt- und Gottgemeinschaft
Werde!
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Infância...
domingo, 9 de agosto de 2009
Idade Média - uma experiência cristã
A sociedade medieval
A vida na cidade
A vida no campo
O castelo Medieval
As guerras e os torneios
A vida espiritual
A casa medieval
A cozinha medieval
À mesa na Idade Média
O comercio medieval
Passar o tempo na Idade Média
O castelo de Castro Marim
A vida na Idade Média
A Idade Média situa-se entre o século V, marcado pelo fim do classicismo greco-romano e o século XV, ou seja, o início da Renascença. Cobre por isso um período muito vasto da história, abrangendo praticamente 10 séculos.
Por vezes classificada como a idade das trevas, tempo sombrio e de ignorância, a Idade Média foi no entanto palco de decisivos acontecimentos históricos e de magníficas produções culturais e artísticas. Muitas catedrais, castelos, igrejas e obras de arte construídas então chegaram até nós, como testemunho e eco deste período decisivo na História do Homem. As cidades, as universidades, a moeda e o comércio da Europa, ainda hoje existentes, têm as suas raízes neste período que alguns classificaram erradamente como uma longa noite de dez séculos. Talvez por a Idade Média ser uma época remota e misteriosa, mergulhada nas brumas da história, povoada de castelos e guerreiros, reis e bispos, cavaleiros e damas. Então, a paz era rara e a Europa vivia entre guerras e batalhas sangrentas. Nelas, os cavaleiros envergavam armaduras reluzentes e empunhavam espadas mortíferas. Mas não foi apenas por esse motivo que a Idade Média é considerada um tempo de violência e insegurança. A Peste Negra, interpretada como um sinal da ira de Deus contra o homem, dizimou a Europa, matando um terço da população. Um cavaleiro tinha assim mais probabilidades de morrer vítima da doença, o pior dos inimigos, do que vítima de um adversário. Embora os costumes romanos se tenham mantido durante bastante tempo, foi na Idade Média que se desenvolveu uma nova forma de governar a sociedade, chamada feudalismo. Este sistema, juntamente com o crescente poder da Igreja, foram os que mais influenciaram a vida na Idade Média.
A sociedade estava organizada num sistema feudal, que se baseava na concessão de terras em troca de serviços. No campo, à volta dos castelos, vivia a esmagadora maioria da população. Eram os camponeses, quetrabalhavam a terra por conta do senhore lhe pagavam uma renda. Em troca, podiam refugiar-se no pátio do castelo em momentos de perigo. Por tudo isto, o sistema feudal traduz a importância da terra, maior bem que se podia possuir e só ao alcance de alguns. Os cavaleiros juravam servir com lealdade os seus senhores e as terras, defender a honra das damas e colocar a sua vida ao serviço de Deus.
A Igreja Católica estava no centro do mundo medieval. Era uma instituição poderosa e governava a vida das pessoas, desde os aspectos mais práticos aos espirituais.
Em termos arquitectónicos, há dois tipos de construções que caracterizam esta época da história, rivalizando então em importância: os castelos e as catedrais. Os castelos, símbolos de prestígio e objectos de conquistas militares, traduziam a importância do poder terreno. Lugar por excelência do poder económico e político, dominavam a sociedade camponesa. As inúmeras catedrais com torres que se elevavam na direcção dos céus simbolizam a importância da Igreja e o peso do poder espiritual.
A arqueologia revela que durante a Idade Média a chave era um elemento muito utilizado e construído em grande escala. Facilmente concluimos que o homem medieval apreciava a segurança e gostava de guardar, fechar, proteger o que tinha de mais precioso.
O espaço medieval brinca precisamente com a dialéctica entre a estabilidade e a mobilidade, entre a segurança e o perigo. A cidade, lugar de civilização, opunha-se ao campo, lugar de rusticidade. Construídas entre muralhas, as cidades ofereciam estabilidade, mas os nobres, cavaleiros e mercadores encontravam-se em constante movimento. E as próprias cidades, local onde se concentrava o comércio e a riqueza, eram igualmente o espaço cobiçado por ladrões, pelo que ao escurecer, a segurança desaparecia. Apesar das cidades manifestarem tendência a desenvolver-se junto de portos, o mar ainda era um mundo desconhecido, que ficaria para outras páginas da história da humanidade.
Os tempos livres eram ocupados com actividades físicas e violentas como os torneios de cavalaria e a caça ao veado. Felizmente, também havia tempo para realizar concorridas feiras e mercados, com malabaristas e exibições de animais, nomeadamente ursos. É também nesta época que surgem os bobos da corte e os trovadores, músicos que cantavam o amor proibido por uma dama. Juntos, animavam os longos e frios serões no castelo.
Em termos culturais, o imaginário medieval é muito rico e repleto de demónios, animais e outras figuras temerosas. A criatividade do homem medieval expressa-se por uma admirável produção de formas estéticas, verdadeiros testemunhos da sua vida quotidiana. Numerosas construções, livros, objectos e sobretudo obras de arte como pinturas, esculturas, mosaicos, vitrais e tapeçarias chegaram até nós, pelo que é bastante fácil reconstruir com fidelidade a história desta época aparentemente misteriosa.
Hoje, muitos séculos depois, propomos uma visita guiada ao modo de vida de então. Porque afinal, também foi este passado que fez de nós aquilo que somos hoje.
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A Sociedade Medieval
“Sociedade feudal” é o termo usado para descrever a sociedade medieval. Tratava-se de um sistema ou organização baseado na atribuição de um pedaço de terra em troca de serviços. Na sociedade feudal, um dos conceitos base era o de lealdade.
O rei fazia doações de terra aos nobres do reino. Estes prometiam, em troca, defender o rei com soldados. Por sua vez, os nobres dividiam a sua terra com os cavaleiros. Na base desta organização social encontravam-se os camponeses, que trabalhavam a terra mediante promessa de protecção.
O padre, o cavaleiro e o camponês são três figuras que exprimem o essencial da Idade Média em termos de organização social. Estas ordens equivaliam a três actividades distintas: os que rezam, os que combatem e
os que trabalham.
Os eclesiásticos consagravam a sua vida às tarefas espirituais e intelectuais. Podiam ser seculares, ou seja, viver na vida comum, como párocos ou ser regulares. Estes últimos eram monges e obedeciam a regras. Alguns viviam em minúsculos mosteiros, outros conheciam o luxo das catedrais e dos grandes centros de peregrinação. Todos se consagravam a missões sociais e eram sacerdotes, médicos, professores e conselheiros. Nenhum monge tinha bens próprios. As terras e casas onde viviam e a roupa e objectos que utilizavam só à Igreja pertenciam.
Os que combatiam eram os homens de guerra e tinham por missão garantir a paz. Os cavaleiros eram uma elite guerreira e tinham um importante estatuto na sociedade. A cavalaria representava o difícil equilíbrio entre a elegância e a brutalidade. Era o ideal de um mundo que vivia constantemente em guerra. A maior parte das pessoas eram camponeses pobres. Cultivavam a terra e trabalhavam para um pequeno número de grandes proprietários de terras, que eram também chefes militares, geralmente cavaleiros. Em contrapartida, estes davam-lhes protecção contra os ataques inimigos.
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A vida na cidade
A partir do século XI começou a registar-se o grande período da urbanização. Em torno do senhor eclesiástico ou laico foram criados pequenos núcleos urbanos e desenvolveram-se novas formas de sociabilidade e uma vida comunitária com regras próprias.
A cidade medieval tornou-se um espaço fervilhante, concentrando num pequeno espaço igrejas, escolas, ruas e tabernas e algumas dezenas de milhares de habitantes, Lugar de produções artesanais e de trocas comerciais, a cidade medieval começou a desenvolver as funções essenciais que ainda hoje caracterizam os grandes centros urbanos: o poder, o comércio, a cultura e a informação.
Numa época em que a maioria das pessoas viviam presas por laços de dependência aos seus senhores, as cidades surgiam como uma miragem de liberdade e a promessa de uma vida melhor.
Dominadas pelas suas catedrais e por uma intensa actividade social e comercial, as cidades opunham-se ao campo. Na cidade, acabava por haver falta de espaço, porque havia demasiadas pessoas e demasiadas casas. Havia lixo nas ruas e as doenças espalhavam-se com muita facilidade.
A muralha isolava o espaço urbano, assegurava a sua defesa e permitia o controlo da circulação com o exterior. Estes muros de pedra tinham a função de defender a cidade e também de controlar a entrada de mercadores e visitantes, que tinham de pagar uma portagem. Os portões da cidade abriam-se ao amanhecer e encerravam quando o sol se despedia. Ao pôr do sol, os sinos da cidade faziam-se ouvir. Era tempo de recolher a casa, já que as ruas não tinham luz e eram um local perigoso depois do entardecer.
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A vida no campo
Cerca de 90% da população vivia e trabalhava no campo, ocupando-se da agricultura. Os camponeses viviam em casa rudimentares e dividiam-se em dois grandes grupos: os que eram livres e os dependentes. Estes últimos eram designados de servos. Segundo a lei, os camponeses medievais, juntamente com os campos, os animais e até as roupas, pertenciam ao senhor feudal. Nas terras pertencentes ao senhor cultivavam cereais como a cevada, o centeio ou o trigo. No sistema de afolhamento trienal, apenas dois campos eram semeados com cereais, enquanto o terceiro era deixado em pousio, para recuperar o seu vigor.
Como ainda não havia máquinas agrícolas, todo o trabalho de lavoura era feito à mão, com a ajuda de foices, forquilhas, podadeiras e carroças para o transporte. A agricultura medieval exigia assim muita mão-de-obra para todos os trabalhos a executar: lavrar, ceifar, malhar, vindimar, tosquiar. Os camponeses criavam ovelhas, vacas e porcos, a partir dos quais produziam lã e obtinham leite e carne e trabalhavam igualmente na vindima.
Nas pequenas habitações construídas em torna do castelo, as condições de vida não eram as melhores. Num pequeno compartimento, coabitavam o camponês, a sua família, os animais e os utensílios. De sol a sol, os trabalhadores executavam as árduas tarefas agrícolas e faziam a recolha de provisões. Nos celeiros, eram armazenadas as colheitas, a lenha, os ovos e a farinha. Os camponeses deviam entregar à Igreja um dízimo, ou seja, um décimo daquilo que produziam. Muitos tinham ainda de fornecer alimentos ao senhor feudal. Tratava-se de uma espécie de renda em que o pagamento era em géneros e não em dinheiro.
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O castelo medieval
Os castelos são um dos maiores legados da Idade Média e então havia milhares de castelos espalhados por toda a Europa. Começaram por ser projectos arquitectónicos simples, mas de importância decisiva. Ao longo dos séculos e fruto da necessidade, foram-se aperfeiçoando as suas estruturas de forma a tornar a sua conquista cada vez mais difícil.
Vistos de fora, os castelos eram sólidas construções e era difícil imaginar o que se passava no seu interior. Geralmente, ficavam no topo de uma colina. Do alto, dominavam a paisagem e vigiavam a região. Eram quase sempre constituídos por torres maciças e paredes altas, sem janelas. Dentro da muralha principal, feita de pedra, existia uma outra, cuja entrada estava protegida por uma ponte levadiça. Acima dos portões existiam buracos através dos quais se deixavam cair pedras ou óleo a ferver. Do alto da torre de menagem, uma sentinela observava tudo a quilómetros de distância. Os merlões serviam de protecção aos arqueiros que disparavam através das ameias, os intervalos entre os merlões. As únicas aberturas nas paredes eram as seteiras, um espaço demasiado exíguo para alguém entrar, mas suficiente para os arqueiros desferirem setas. Os arqueiros conseguiam atirar com precisão a uma longa distância e eram vitais na defesa do castelo. As escadas em espiral de cada torre eram construídas no sentido dos ponteiros do relógio. Deste modo, o defensor que as descesse tinha mais espaço para manusear a arma. Quando o inimigo se aproximava, sob a forma de vultos escuros entre o nevoeiro, a sentinela tocava a sua corneta. Então, era altura dos guardas içarem a ponte levadiça.
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As Guerras e os torneios medievais
Durante a época medieval, a guerra podia começar a qualquer momento. Por isso, era preciso estar bem preparado. Enquanto os reis e os nobres construíam castelos, os cavaleiros treinavam-se na arte do combate desde muito jovens. Os cavaleiros, soldados de classe elevada, tinham uma grande variedade de armas à sua disposição, como espadas, machados, maças ou lanças. Estas últimas chegavam a medir quatro metros e meio. A armadura era fundamental para a protecção e defesa do cavaleiro. Pesava mais de dez quilos, pelo que podia levar uma hora a vestir. Dela fazia parte uma cota de malha com inúmeros aros de metal unidos uns aos outros. As espadas mortíferas e as armaduras reluzentes destacavam-se no corpo do cavaleiro com o rosto escondido por detrás de um grande elmo. Quando um cavaleiro usava uma armadura completa, ficava irreconhecível. Por isso, cada um decorava o seu escudo ou armadura com o seu símbolo ou brasão.
Naquele tempo, os torneios de cavalaria eram uma constante e tinham uma dupla função. Para além do aspecto lúdico e de entretenimento, eram um óptimo pretexto para os cavaleiros se exercitarem para as sangrentas batalhas. Os torneios tornaram-se muito populares e os seus vencedores ganhavam valiosos prémios em dinheiro, cavalos e armaduras. A multidão acotovelava-se nas tribunas, para ver os combates entre os cavaleiros. Alguns eram verdadeiros heróis e combatiam de castelo em castelo. Inicialmente, os torneios eram sangrentos e perigosos. Progressivamente, a cavalaria foi-se tornando um código de honra do qual faziam parte o respeito pela Igreja, a piedade pelos pobres e a bravura. A espada do cavaleiro era uma entidade mítica e não devia ser usada para fazer o mal.
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A vida espiritual
As Igrejas e catedrais dominavam a paisagem medieval e tinham como únicos rivais os imponentes castelos. O seu número testemunha o intenso fervor religioso que se viveu então.
Na Idade Média, a religião cristã fazia parte da vida quotidiana. regulando a vida prática e espiritual das populações. O medo do inferno e do apocalipse dominavam o homem e inspiravam os artistas. As pessoas procuravam na igreja a explicação para os mais diversos acontecimentos, como as epidemias, a fome e até as trovoadas. Através da oração e da devoção, esperavam afastar essas adversidades.
Naquela época, numerosos cristãos escolhiam colocar-se ao serviço de Deus. Tornavam-se monges e viviam afastados do mundo, nos mosteiros. Rezavam a horas certas, seguiam regras estritas e trabalhavam diariamente. Ao contrário da maior parte dos seus contemporâneos, os monges sabiam ler e escrever. Simultaneamente biblioteca, colégio, repositório de tesouros e oficina, o mosteiro representava a verdadeira cultura cristã. Como membros de uma comunidade auto-suficiente, os monges tinham inúmeras tarefas diárias.
Instituição poderosa, com leis próprias, cobradora de impostos e dona de territórios, a Igreja enriqueceu consideravelmente ao longo da Idade Média. A maior parte das aldeias tinha uma igreja e os grandes centros urbanos tinham magníficas catedrais e grandes mosteiros. As catedrais, repletas de estátuas, vitrais, esculturas e frescos pintados nas paredes, relatavam histórias e episódios bíblicos. Os vitrais eram uma espécie de banda desenhada, que ensinava às pessoas que não sabiam ler as histórias da Bíblia.
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A casa medieval
As casas medievais eram muito diferentes das nossas. Nas cidades medievais, as casas eram construídas em madeira ou pedra. Tinham dois ou mais andares com sacada, projectando-se sobre a rua. Este facto explica em parte a fisionomia das cidades medievais, retratadas como sombrias e pouco arejadas, apesar das janelas não terem vidros.
As casas medievais tinham as lareiras no meio da sala, longe das paredes de madeira e para evitar os incêndios. Era em seu redor que as famílias se sentavam, para se aquecerem nas noites frias e escuras. Para iluminarem
a noite, utilizavam juncos mergulhados em gordura, que ardiam como velas. Era frequente haver nas traseiras das casas pátios e jardins, onde se encontravam animais domésticos como a galinha e o porco. Não havia casas de banho, apenas fossas que necessitavam de uma limpeza periódica.
A vida dentro da casa era em comunidade e havia falta de intimidade, já que todos os seus habitantes comiam, dormiam e passavam o tempo livre na mesma divisão.
Mesmo entre os mais ricos e poderosos, usavam-se poucas peças de mobiliário. Do mobiliário faziam parte uma mesa, assentos sem costas e um móvel essencial pela sua enorme versatilidade: o baú ou arca. Dotada de uma utilização polivalente, o baú servia tanto de assento como de armário onde se guardavam as roupas ou as loiças. A arca era também muitas vezes transformada em mesa, para servir o jantar. As pessoas abastadas dormiam em camas de madeira resistente, com um dossel por cima e cortinas laterais. A maior parte dos colchões eram de palha. Na maioria das casa, as pessoas sentavam-se em bancos baixos. Apenas o senhor dispunha de uma cadeira com espaldar e braços.
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A cozinha medieval
A cozinha era muitas vezes construída no pátio em edifício separado, como precaução contra os incêndios. O equipamento de cozinha dessa época incluía o almofariz, panelas e frigideiras de cabo comprido. A maior parte dos pratos eram confeccionados em grandes panelas de ferro. O caldeirão de 3 pernas podia ser colocado sobre o fogo ou suspenso por um gancho.
Os cozinheiros tinham de ter talento para disfarçar o sabor de alguns alimentos. Por isso, a cozinha medieval usava e abusava de ervas aromáticas como os coentros, a salsa e a hortelã para condimentar os pratos. Cultivava-se o tomilho, o alho, a mostarda e o açafrão e utilizava-se também o sal e ainda pimenta vinda do Oriente.
A carne, guardada em despensas, nem sempre se mantinha fresca. O peixe cozinhado com salsa e funcho era um prato popular. A Igreja ordenava que às quartas, sextas e sábados não se comesse carne. O arenque salgado ou as enguias, além de uma grande variedade de peixes do mar e rio, eram consumidos com frequência. Legumes como as cebolas, couves e alho-francês eram utilizados para engrossar as sopas e estufados, mas não eram especialmente apreciados, pelo menos entre as classes superiores. O regime alimentar variava de acordo com as posses de cada um. Enquanto os nobres abastados e os mercadores podiam ter uma vasta gama de alimentos à mesa, o regime alimentar das pessoas comuns era bem mais restrito. Comiam pão de centeio ou trigo, alguns legumes e os porcos da sua criação, ou ainda peixe salgado e lácteos compostos a partir de leite de vaca, cabra ou ovelha. Nas refeições comuns, o prato diário era um espesso caldo de legumes e muita carne.
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À mesa na Idade Média
Rabelais dizia que a gastronomia é uma arte complicada, da qual o estômago é o pai. E é também um dos melhores reflexos dos hábitos e costumes de uma época. Sentemo-nos pois à mesa medieval. As duas refeições principais eram o jantar e a ceia. No século XIV jantava-se entre as 10 e as 11 da manhã e a ceia era por volta das 6 ou 7 da tarde. À mesa encontrava-se todo o tipo de carnes, base da alimentação, como a carne de vaca e porco, cabrito, carneiro, lebre e faisão. A par destas, havia caça e aves exclusivas da época, como o urso, o gamo, a corça, a garça, e o pavão. A forma mais frequente de cozinhar a carne era assá-la no espeto, mas também se servia cozida, estufada ou em caldeirada. Um banquete medieval podia incluir ainda iguarias como pavão, baleia ou cisne.
O peixe fresco era mais raro e servia-se por isso mesmo em pequenas quantidades ou frito. Já o peixe seco, salgado e defumado era utilizado com maior abundância. Em termos de doçaria, o leite estava omnipresente nas confecções da época e era ingrediente imprescindível no manjar branco, nos pastéis de leite e nas tigeladas. Os vinhos servidos eram brancos, tintos e palhetes. Como azedava com facilidade, o vinho era frequentemente servido com mel ou gengibre. E porque os olhos também comem, a decoração dos pratos, tal como a decoração dos recintos, era extremamente cuidada. As longas mesas eram cobertas com magníficos tecidos e iluminadas por tochas empunhadas por criados. Então, as iguarias começavam a desfilar, devidamente ornamentadas. Os pratos tinham o nome de escudelas e serviam para dois convivas, sentados lado a lado. Apesar de já existirem colheres e facas, as mãos eram o principal talher utilizado. Cada um usava as sua própria faca, uma colher e os dedos para comer educadamente à mesa.
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O comércio medieval
Entre os séculos XI e XIII, assistiu-se a um enorme crescimento das cidades, numa Europa cada vez mais dedicada ao comércio. O aumento das trocas sociais foi determinante para o aumento do número de cidades. onde havia cidades, concentravam-se os mercadores.Os mercadores da Idade Média eram vendedores ambulantes que andavam de cidade em cidade e vendiam tanto produtos artesanais como mercadorias exóticas importadas de terras longínquas.
O mercado animava regularmente as praças da cidade e era o local onde se faziam os negócios. As trocas comerciais intensificaram-se e as lojas e bancas de então são um testemunho da arquitectura urbana. O comércio medieval marca o início da economia monetária. Então, desenvolveu-se o gosto pelo negócio e pelo dinheiro.
O comércio começava ao amanhecer e a praça do mercado, com a sua catedral ou igreja, era o polo da cidade para o qual convergiam as principais ruas. Os comerciantes penduravam no exterior da loja um objecto, como um sapato ou um peixe, para indicarem qual a sua actividade comercial. Muitas vezes, as ruas recebiam o nome de uma actividade comercial. Assim, chamavam-se, por exemplo, Rua do Sapateiro, Rua do Padeiro, Rua do Barbeiro.
Numerosos artesãos abriam ateliers na cidade e fabricavam roupa, tapeçarias e louça. Na cidade medieval, as lojas amontoavam-se e era frequente ocuparem pequenos espaços.
Um dos grandes acontecimentos era a feira anual, que se prolongava durante vários dias e tinha lugar no exterior das muralhas. As transacções comerciais realizavam-se num ambiente de descontracção e eram animadas por acrobatas e músicos. Os comerciantes exibiam as suas mercadorias, umas populares, outras vindas de terras longínquas como a Rússia ou a China.
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Como se passava o tempo
O tempo tem destas coisas. Nem sempre parece passar da mesma maneira, o que lança logo uma questão: afinal, a passagem do tempo é objectiva ou subjectiva?
Na Idade Média ainda não havia relógios e o tempo corria devagar. As noites eram longas e escuras, mas se as pessoas estivessem entretidas, pareciam subitamente muito mais curtas e iluminadas. Então, muitos passatempos tinham o duplo fim de servirem como entretenimento e como forma de fornecer alimentos ou desenvolver a perícia militar. Muitos dos passatempos tinham deste modo um lado prático, decorrente das necessidades de sobrevivência e defesa.
Uma das grandes ocupações era a caça, um passatempo com várias funções e fins práticos. O senhor das terras caçava para se distrair, para eliminar os animais que destruíam as suas colheitas e para se alimentar. Servia-se de falcões para descobrir e matar a caça pequena e tinha também a sua própria matilha de cães. Os caçadores e as suas matilhas de cães caçavam veados e javalis selvagens nos seus coutos privados. O arco era outro instrumento de caça e servia para apunhalar lebres, perdizes e faisões. A caça era assim o desporto favorito do fidalgo e uma forma de acrescentar comida suplementar à sua despensa.
A falcoaria era igualmente um desporto medieval muito popular. Os senhores possuíam os seus próprios falcões
e gastavam avultadas quantias de dinheiro na compra e treino destas aves. Os falcões eram treinados pelos falcoeiros para caçarem coelhos e pássaros como os pombos. Os nobres tinham por hábito saírem para a caça a cavalo e com um falcão no punho.
Os senhores abastados organizavam festas sumptuosas nas salas do castelo. Os pagens serviam a comida e as bebidas
e os pratos sucediam-se numa enorme variedade de sabores. Em noites de festa, havia ementas especiais no castelo. Os festejos e as refeições duravam horas e eram animados pelos artistas de então: momos, acrobatas, prestidigitadores e os imprescindíveis bobos da corte. O bobo da corte tinha por principal tarefa divertir o rei e os seus convidados. Por vezes, havia mesmo macacos ou ursos que também executavam números de entretenimento.
Senhores e damas da corte passavam horas a jogar xadrez, gamão e dados. Jogar às cartas também se tornou muito popular a partir do século XIII.
Nas cortes dos senhores feudais, os trovadores cantavam o amor dos cavaleiros pelas suas damas e narravam feitos heróicos, destacando a bravura dos cavaleiros. Os trovadores tocavam música e cantavam os dois grandes temas que eram o amor e a guerra. Os poemas que escreviam eram cantados em festas pelos jograis ou menestréis, que se faziam acompanhar por instrumentos musicais como a viola em arco, a harpa ou o alaúde. Os trovadores compunham canções de cruzada, pastorais, trovas populares e inventaram o amor cortês do cavaleiro dedicado à sua dama. Tratava-se de uma espécie de paixão secreta com regras rigorosas. A identidade da pessoa amada devia ser mantida em segredo e regra geral tratava-se de uma mulher casada. Daí que o amor fosse um amor proibido. A cavalaria tornou-se o outro ideal de que as canções dos jograis nos deixaram eco.
O som envolvente do alaúde, trazido do Médio Oriente, servia de pano de fundo ao canto dos trovadores. Os músicos mais hábeis conseguiam dedilhar complicadas melodias com os cinco pares de cordas dos instrumentos.
As festas e os jogos fazem parte da identidade urbana, na sua afirmação face à cultura campesina. Nos compridos serões do castelo, todo o visitante que trouxesse na sua bagagem narrativas de viagens ou aventuras para contar, era bem vindo. Os trovadores, músicos ambulantes, levavam as novidades de um lugar para o outro.
Na Idade Média, muita gente ouvia música na igreja. Sagrada ou profana, a dança e a música animavam a sociedade medieval.
Também as festas e as feiras eram um motivo de distracção e por isso mesmo sempre aguardadas com expectativa. Tanto os camponeses como os citadinos contavam impacientemente os dias até estas se realizarem. As grandes feiras tinham habitualmente lugar no dia das festas dos santos. Os mercadores montavam as suas barracas com as mercadorias trazidas de lugares distantes e vendiam especiarias, tecidos e vidros. Havia uma grande variedade de comida ao dispor de todos e consumiam-se grandes quantidades de cerveja e vinho. Os acrobatas, malabaristas e músicos animavam as feiras com as suas exibições.
Alguns malabaristas conseguiam manipular sete bolas ao mesmo tempo, para deleite dos espectadores.
Caça, falcoaria, jogos de xadrez, música e poesia trovadoresca, banquetes e serões, na Idade Média foram inventadas muitas formas de passar o tempo, no tempo em que o tempo ainda não tinha ponteiros de horas, minutos e segundos.
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O Castelo de Castro Marim
As origens da vila de Castro Marim perdem-se no tempo. Ainda hoje não se sabe se na origem de “Marim” está uma palavra relacionada com “mar” ou se este termo não passa de uma variante do árabe, significando “torre”. Ambas as versões justificam o brasão de Castro Marim, uma torre sobre as águas entre mouros e cristãos, correspondendo a torre ao Castelo Velho.
Classificado como monumento nacional desde 1910 e outrora principal praça de guerra do Algarve, o Castelo de Castro Marim está implantado num penhasco. Do alto do penhasco observa a vila e sente-se dono da paisagem, como no tempo em que Fenícios, Cartagineses, Romanos e Árabes ocupavam a região. Reza a história que em 1242 Castro Marim foi conquistada aos mouros por D. Paio Peres, fronteiro-mor do reino, tendo recebido foral em 1277.O castelo faz parte de uma edificação notável de fortificação da fronteira. Em 1319, a vila tornou-se o quartel-general dos Cavaleiros de Cristo e o Infante D. Henrique, nomeado governador da Ordem, residiu no Castelo. Até 1755, a vila viveu à sombra das suas muralhas, que depois do terramoto foram restauradas no reinado de D. João IV.
Uma visita ao Castelo de Castro Marim é sempre uma revelação para a vista, quer pela estrutura e imponência do castelo, quer pela excelente vista que este oferece sobre o rio Guadiana e a zona do Sapal. Ex-libris da vila e testemunha fiel e visível de tantos séculos de história, as muralhas do Castelo guardam muitos segredos e factos que a história silenciou dentro das muralhas do Castelo. Além de guardarem o eco das batalhas sangrentas, que as paredes registaram nos primórdios da história, guardam o que chegou até nós do Castelo velho. Provavelmente de construção muçulmana, ele assenta sobre uma planta irregular, de configuração quadrada com quatro torreões e duas portas.
Situado no interior do Castelo existe um pequeno núcleo museológico que testemunha aspectos arqueológicos e históricos da região.
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Textos de Maria João Freitas
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Autor: Herder , Johann
A rispidez de carácter nunca se encontrará na mulher cuja prudência foi a única a contrariar-lhe as propensões
Autor: Rémusat , Claire
O carácter é o que mais difícil se torna de conhecer no homem, porque depende de acasos que no-lo revelem
Autor: Diane , Condessa
Não conseguimos escapar ao nosso próprio carácter: eras misógino e continuas a sê-lo. Quem diria?
Fonte: "Il Mestiere di Vivere"
Autor: Pavese , Cesare
Todo o homem tem três carácteres: o que ele exibe, o que ele tem e o que pensa que tem
Autor: Karr , Alphonse
Um espírito mesquinho é como um microscópio: aumenta as pequenas coisas, mas impede de ver as grandes
Autor: Chesterfield , Philip
Ter firmeza de carácter, é havermos sofrido o efeito dos outros sobre nós próprios
Autor: Stendhal
As dificuldades são o aço estrutural que entra na construção do carácter
Autor: Andrade , Carlos Drummond de
O carácter é a soma de milhares de pequenos esforços para viver de acordo com o que de melhor há em nós
Autor: Montapert , Alfred
Mais vale ter um mau carácter que não ter carácter nenhum
Autor: Bernanos , Georges
O carácter não é esculpido em mármore, não é algo sólido e inalterável. É algo vivo e mutável, e pode tornar-se doente, como se torna doente o nosso corpo
Autor: Eliot , George
A simplicidade de carácter é o resultado natural de profundo raciocínio
Autor: Hazlitt , William
A natureza é frequentemente escondida, algumas vezes dominada, mas raramente extinta
Autor: Bacon , Francis
A medida do carácter de um homem é o que ele faria se soubesse que nunca seria descoberto
Autor: Macaulay , Thomas
Ter firmeza de carácter é ser fiel àquilo em que já se não acredita
Fonte: "Conta-Corrente 4"
Autor: Ferreira , Vergílio
domingo, 19 de julho de 2009
Susanne Schädlich
http://www.droemer-knaur.de/buecher/Immer+wieder+Dezember.252507.html?ansicht=leseprobe
Es gibt kein Gedächtnis der Völker ohne das des Einzelnen. Die deutsche und europäische Geschichte ist imprägniert mit Trennungserfahrungen von Familien, Freunden und Bevölkerung. Die Erzählung von Susanne Schädlich ist eher ein Tatsachenbericht, das vielen an das Herz spricht. Eine Nachkriegsgeschichte, die sich überwiegend auf die Ost-West Dikotomie zentriert, und ohnehin intimste Gefühle darlegt.
Um relato sobre a experiência individual de separação. Quadros sentimentais expostos com lucidez, num contexto de dicotomia e divisão, na escolha entre o eu e o colectivo.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Anos 80
terça-feira, 2 de junho de 2009
Momentos
O afago do idoso, as histórias contadas nas noites de inverno, os cânticos em família na consoada e os mimos.
Momentos há em que a adolescência se faz sentir nas nossas artérias, com as emoções à flor da pele.
Momentos há em que a idade adulta prevalece e sentimos que dominamos a vida e todas as suas viscissitudes.
Momentos há em que o cansaço da terceira idade se faz sentir, e quase pressentimos o fim.
domingo, 24 de maio de 2009
Siddhartha-A inteligência do Homem...
domingo, 26 de abril de 2009
A gratidão em homenagem
Admirei a rectidão e a alegria interlaçadas
Que outrora tanto admirara.
Vi no seu rosto e na sua concretização
Tudo o que poderia ter sido e nada do que fora.
Abraçados cada qual ao seu destino
Um, definhando qual rosa sedenta
Outro, num contínuo florescimento
Em caminhos distintos
Com diferentes sabores na boca
E prazeres ocultos no ventre.
A verdade não é a que foi contada
A verdade está em nós e teima em não querer afirmar-se!
Talvez um dia se concretize, talvez um dia...
sábado, 18 de abril de 2009
Bertold Brecht
Schreib mir
Schreib mir, was du anhast! Ist es warm?
Schreib mir, wie du liegst! Liegst du auch weich?
Schreib mir, wie du aussiehst! Ist es noch gleich?
Schreib mir, was dir fehlt! Ist es mein Arm?
Wer sich wehrt
Wer sich wehrt, weil ihm die Luft weggenommen wird
Indem man ihm den Hals zupreßt, vor den stellt sich ein
Paragraph
Und schreit, er hat in Notwehr gehandelt. Aber
Dieser selbe Paragraph wendet sein Gesicht weg und tritt
auf die Seite
Wenn ihr euch wehrt, weil euch das Brot weggenommen
wird.
Und doch stirbt, wer nicht ißt und wer zu wenig ißt
Wenn auch langsam. Alle die Jahre, die er stirbt
Darf er sich nicht wehren.
Gottfried Benn
Du füllst mich an wie Blut die frische Wunde
und rinnst hernieder seine dunkle Spur,
du dehnst dich aus wie Nacht in jener Stunde,
da sich die Matte färbt zur Schattenflur,
du blühst wie Rosen schwer in Gärten allen,
du Einsamkeit aus Alter und Verlust,
du Überleben, wenn die Träume fallen,
zuviel gelitten und zuviel gewusst.
Entfremdet früh dem Wahn der Wirklichkeiten,
versagend sich der schnell gegebenen Welt,
ermüdet von dem Trug der Einzelheiten,
da keine sich dem tiefen Ich gesellt;
nun aus der Tiefe selbst, durch nichts rühren,
und die kein Wort und Zeichen je verrät,
musst du dein Schweigen nehmen, Abwärtsführen
zu Nacht und Trauer und den Rosen spät.
Manchmal noch denkst du dich --: die eigene Sage --:
das warst du doch --? ach, wie du dich vergasst!
war das dein Bild? war das nicht deine Frage,
dein Wort, dein Himmelslicht, das du besasst?
Mein Wort, mein Himmelslicht, dereinst besessen,
mein Wort, mein Himmelslicht, zerstört, vertan --
wem das geschah, der muss sich wohl vergessen
und rührt nicht mehr die alten Stunden an.
Ein letzter Tag --: spätglühend, weite Räume,
ein Wasser führt dich zu entrücktem Ziel,
ein hohes Licht umströmt die alten Bäume
und schafft im Schatten sich ein Widerspiel,
von Früchten nichts, aus Ähren keine Krone
und auch nach Ernten hat er nicht gefragt --
er spielt sein Spiel, und fühlt sein Licht und ohne
Erinnern nieder -- alles ist gesagt.
À laia de divagação
Será descabido dizer-se que a "teoria do umbigo" muitas vezes prevalece sobre conceitos ideológicos estruturados e concebidos pelo próprio ser-humano numa tentativa de equilibrar a convivência dos diversos tipos de alteridade. Exemplos haveria muitos no âmbito das hegemonia, despotismo e didaturas estatais, estaduais, grupais e mesmo individuais. Ocuparia horas e horas se quisesse desenvolver os tópicos e as teorias inerentes a este assunto. Fico-me apenas pela desilusão de constatar que a humanidade muitas vezes fica muito aquém das suas capacidades (independentemente do estádio de desenvolvimento cultural, social e individual) na análise, compreensão e aceitação do outro.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Crianças Indigo - Para quem ainda não conhece
Os índigo são especiais. Eles sabem que são especiais e querem ser amados como tal.São crianças que não esperam a hora de ver o mundo em paz.Não é uma utopia, não penses.Eles trazem uma lembrança futura, onde o mundo subirá de vibração, e as palavras de ordem serão compreensão, aceitação e amor incondicional.Amor por tudo. Pela terra, pelas árvores, pelos animais, ter amor pelo chão que se pisa.Ter respeito pelos seres que coabitam esta imensidão de espaço.Este é o sonho dos índigo. Esse é o seu sonho e a sua missão.
Os índigo são treinados lá em cima. Mostramos-lhes o futuro e tudo o que têm que fazer na terra para o alcançar.Por isso é que uma vez eu te disse "As crianças não é preciso educá-las. Só é preciso amá-las. Elas já vêm educadas".Elas realmente já vêm treinadas. Sabem onde vocês têm de chegar e preparam-vos para isso.Têm a lembrança futura do que a terra vai ser e preparam-se para conquistá-la. Têm um propósito. Por isso é que se acham diferentes. Sentem que não fazem parte deste mundo, e por um lado é verdade. Eles fazem parte de um outro mundo. O do Futuro. Não suportam autoridade porque não querem confusão. As suas mentes estão programadas para o que têm que fazer.
Têm os comandos todos na cabeça.Têm um novo mundo na cabeça.Quando um pai, uma mãe ou uma professora dá uma ordem sem a explicar, esse comando torna-se extremamente agressivo ao índigo. Ele quer saber o porquê da ordem e verificar se confere com o que está na sua lembrança futura.Por isso é tão importante a negociação.Para que essa criança aceite o que os adultos propõem sem pôr em causa o mundo que veio edificar. Ela sabe que não pode construir o seu novo mundo hoje, mas também sabe que não pode perpetuar o velho.As máquinas e os homens são a sua grande paixão. As máquinas porque terão de utilizá-las para o avanço pretendido.Os homens, porque em cada gota de sangue de um índigo corre a humanidade inteira. Ele é capaz de sentir as dores do mundo, e quer, sem dúvida curá-las.Assim como as dores da terra, dos animais.Ele vem à terra com uma missão. Consertar o que está errado. Quem são vocês para impedir?Os índigos são os meus representantes na terra.O problema é a memória que eles trazem das outras vidas.A partir do momento em que essa memória seja retirada eles estarão livres.Para cumprir a missão que eu lhes destinei.Eles só nascem de pessoas que tenham capacidade de os orientar, compreender e amar. As pessoas podem não perceber ainda, mas poderão sempre escolher evoluir, escolher mudar.Eu envio os índigo para famílias que têm potencial espiritual, mas que nem sempre escolheram desenvolver esse potencial. Como a vossa terra necessita de seres altamente espiritualizados para superar a frequência energética da terra no seu todo, escolhemos esses pais e enviamos um índigo, para que tenham compulsivamente que evoluir.
- E os que escolhem não evoluir?
Estarão a maltratar estas almas índigo, estarão a interferir na missão desse ser, entupindo-o com a sua densidade.Em vez de todos se elevarem, o índigo é obrigado a retroceder. Terá doenças, depressões e hiperactividade, fruto da alteração energética a que é sujeito.Estamos a enviar forças para modificar o sistema energético de terra e vocês estão a bloquear essas forças. A escolha é vossa. Essa tem sido a escolha colectiva da humanidade.Enquanto não compreenderem que essas crianças (e também adultos, pois já existem adultos índigo na terra. Tu és um deles) têm uma tarefa específica, e são tão destemidas que irão morrer a tentar executá-la. Enquanto não perceberem que podem perder os vossos filhos ou tê-los doentes por várias temporadas pelo simples motivo que se recusam a deixá-los ensinar-vos a nova lei, a energia do triângulo, enquanto esta re-harmonização não acontecer, a tristeza reinará nos vossos campos.
- Como é feita essa harmonização?
Tem a ver com o amor incondicional.Os índigo, por trazerem o terceiro vértice de energia do triângulo, que é a conexão absoluta com o céu, numa primeira fase não conseguem assentar completamente na matéria.Essa energia densa que se vive aí em baixo é muito pesada para eles e eles ressentem-se muito com isso.Apanham entidades, incorporam as suas próprias encarnações, fruto de extrema conexão e presença de memória das vidas passadas no seu complexo vibracional.Com muito amor, esses pais iriam ensinar estes miúdos a viver cá em baixo, seguindo regras que as suas mentes espirituais pudessem aprender, onde estariam invariavelmente presentes os conceitos da justiça, humanidade, humildade, ecologia e afecto.Estes conceitos terão de estar presentes na vida destes índigo, de contrário há ameaça de eles se revoltarem, pois não conseguem compreender conceitos densos tais como hipocrisia, falsidade e violência.Estas crianças, ao serem respeitadas nas suas frequências energéticas, irão ensinar todo um mundo novo, onde as outras dimensões estão presentes e são interligadas com a maior das naturalidades.Este é nosso plano. Uma vez, eu disse-te que quem morria já não poderia nascer no mesmo nível de densidade.Seria treinado, teria estágios evolutivos avançados, treinamento acerca da sua nova missão. E, quando estivesse preparado, com um nível energético apropriado para mudar a frequência da terra, nessa altura iria passar o novo filtro da consciência e ter autorização para encarnar.Pois bem. Estes são os meninos índigo.Treinados. Evoluídos. Preparados.Prontos para o confronto. Prontos para serem mártires, se necessário, mas nunca desistindo da sua nova missão.Fazer-vos ver a luz.
Jesus
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Rilke
Geschicklichkeit und läßlicher Gewinn -;
erst wenn du plötzlich Fänger wirst des Balles,
den eine ewige Mit-Spielerin
dir zuwarf, deiner Mitte, in genau
gekonntem Schwung, in einem jener Bögen
aus Gottes großem Brücken-Bau:
erst dann ist Fangen-Können ein Vermögen, -
nicht deines, einer Welt. Und wenn du gar
zurückzuwerfen Kraft und Mut besäßest,
nein, wunderbarer: Mut und Kraft vergäßest
und schon geworfen hättest..... (wie das Jahr
die Vögel wirft, die Wandervogelschwärme,
die eine ältre einer jungen Wärme
hinüberschleudert über Meere -) erst
in diesem Wagnis spielst du gültig mit.
Erleichterst dir den Wurf nicht mehr; erschwerst
dir ihn nicht mehr. Aus deinen Händen tritt
das Meteor und rast in seine Räume...
Aus: Die Gedichte 1922 bis 1926 (Muzot, 31. Januar 1922)