Sentada na pequena varanda virada para a rua, observava o burburinho da cidade. Estava debruçada sobre uma das mais emblemáticas ruas da cidade. Os lojistas dispunham a sua mercadoria de forma estratégica, para atrair o turista. Vendiam, sobretudo, o que os menos aficcionados da cultura popular designam de kitsch nacionalista. As montras amplas faziam questão de chamar a atenção sobre o seu conteúdo pela sua diversidade. Um ou outro expositor exibia com uma variedade cromática invejável as atracções turísticas da cidade e mesmo do País.
Nessa manhã não lia, tinha o pensamento vazio, inerte. Ao invés do que lhe era habitual preferiu retrair-se no seu espaço sem qualquer tipo de interacção. Ficou ali a observar. Aquela mulher insegura de chapéu de palha e de calções, notoriamente estrangeira, acompanhada por um homem bastante mais novo, cheio de vaidade e auto-confiança. Constratavam não se pela idade e pela postura, mas pela forma como abordavam o meio que os rodeava. Não obstante, quando trocaram olhares a cumplicidade e o companheirismo era incontestável. Ninguém podia negar que eram amantes. Não era ocasional nem passageiro, não, eram amantes no verdadeiro sentido (...)
