Metaforicamente falando pouco tinha para oferecer ao seu interlocutor da pasta de papel que constituia o seu âmago no momento. Era uma pasta composta por folhas de papel escrevinhadas à pressa numa viagem de comboio, à mesa de um café, nas noites passadas em branco, amarrotadas e engolidas para que ninguém se apercebesse da sua existência.
O crítico literário que se sentara numa posição de "homem senhor-de-si-próprio" debitava a sua verborreia e o seu charme em quantidades abomináveis. Sabia que a intenção era apenas a de conseguir a edição do seu próximo romance na editora que representava.
Como teria chegado àquele estado? Não sabia bem que veredas tinha empreendido no seu percurso para chegar ao ponto de se encontrar sentado à mesa com um criatura deste género. Também ele tinha capacidade para fazer desempenhar aquele papel (aquele e outros tantos, depois de anos representação na Companhia mais famosa da cidade). Baaa! Cala-te!!, ecoou na sua cabeça...