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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Marinheiro de Gibraltar

Finalmente consegui concluir a leitura de uma das obras de leitura obrigatória de Marguerite Duras "O Marinheiro de Gibraltar". Toda a sua envolvência é de uma leveza aparente e o leitor menos atento poderá interpretar aquela busca obsessiva como um certa leviandade e irresponsabilidade por parte da personagem principal.

Toda a densidade emocional que envolve a perseguição de um amor de que há muito perdeu o rasto, é-nos veiculada pelas personagens masculinas que a acompanham. A sua convicção em continuar incessamente a procura do paradeiro do Marinheiro de Gibraltar desconcerta os seus amantes e companheiros, que querendo agradá-la se empenham de corpo e alma a saciar-lhe esses desejo.
Marguerite Duras consegue retratar nesta obra um dos aspectos mais alucinantes do ser-humano: a busca do passado, a insatisfação constante com o presente e a projecção da esperança num futuro que se quer com contornos de algo já vivido. A necessidade da criação de raízes será a solução apresentada para esta inconstância e necessidade de amor. No fundo é a chegada à idade adulta, à identificação de um modo de vida acomodado.
Quantos de nós não se revêm nesta personagem.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Será que vale tudo neste sistema social em que nos inserimos? Não tenho nada contra o controlo da população e dos indíviduos, desde que o mesmo não ultrapasse a barreira do sensato e da liberdade individual. O que poderá justificar a invasão de espaço pessoal ao nível físico, social, laboral, emocional e de relacionamentos íntimos ou não.

Evidentemente, que quem tenha cariz criminoso terá consciência que esses aspectos serão alvo de violação, mas meros cidadãos, empregados ou familiares???

Devo confessar que na minha ingenuidade de comum cidadão, educado e criado dentro de parâmetros considerados normais, me faz confusão esta forma de conduta controladora.

Podem acusar-me de ser um pouco instável talvez ligeiramente rebelde, mas nunca deixei de cumprir com as minhas obrigações nos meus meios envolventes, em ambiente de trabalho, social e familiar. Talvez tenha pecado por me deixar influenciar em determinadas alturas da minha vida, mas jamais admito que queiram fazer desse procedimento um lugar comum.

Afinal, cabe a cada um de nós decidir a organização social, cultural ou religiosa a que quer pertencer. Quero agradecer muito a quem nos últimos tempo me tem tentado ajudar indicando caminhos possíveis.
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