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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

(continuação)

Em 1857 viajou até New Orleans com o intuito de embarcar para a América do Sul. Contudo decidiu tornar-se mestre de embarcações fluviais e passou dois anos a navegar no rio Mississipi.
As hostilidades entre o Norte e o Sul tiveram como consequência a redução considerável do tráfego comercial no Mississipi, em 1861, e Clemens teve de abandonar a sua carreira. Alistou-se como soldado num grupo de voluntários nesse mesmo ano, mas desistiu passadas poucas semanas e dirigiu-se para o território do Nevada, onde tinham sido encontradas em 1859 as lendárias minas Comstock Lode.


"As biografias são apenas as roupas e os botões da pessoa. A vida da própria pessoa não pode ser escrita."Fonte: - AutobiografiaTema: - BiografiaVer mais citações de - Twain , Mark

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A vida e obra de Mark Twain

Poucos escritores foram ao longo da história literária tão lidos e comentados como Mark Twain. Foi um talento prolífico e uma figura complexa, cujo génio satírico e de contador de histórias do Velho Oeste consolidou a sua reputação como um americano original. A leitura da sua obra oferece aos leitores a oportunidade única de experimentar, não só, a extensão e a profundidade do humor e carácter introspectivo de Twain, mas também o acompanhamento da evolução do seu dom literário excepcional.
Num dos seus contos 'How to Tell a Story' Twain escreve, 'Há diversos tipos de histórias, mas somente um deles é difícil de contar - o que tem humor'. Contudo, na leitura deste autor é difícil imaginar que tenha alguma vez tido dificuldade em contar qualquer história. A linguagem de Twain é fluída, a sua apetência para reproduzir os dialectos é tão precisa, que as suas narrativas parecem ter sido escritas sem esforço e não resultado de uma escolha criteriosa de palavras e de revisões minuciosas. Os géneros dos textos de Twain, principalmente dos textos narrativos de menor dimensão (de entre alguns: contos, textos burlescos, fábulas, histórias de fantasmas), são bastante variados  e numerosos, contudo o humor permanece um traço constante.
Twain usou o humor como arma contra o racismo, a ganância e a hipocrisa, percepcionando a astúcia como um meio de impulsionar as reformas sociais necessárias.

Mark Twain nasceu Samuel Langhorne Clemens a 30 de Novembro de 1835 na Florida, Missouri. No dia do seu nascimento o planeta Halley, que passa junto da Terra a cada setenta e seis anos, estava visível no céu nocturno - um acontecimento da astronomia que os nossos antepassados consideravam ser presságio de um grande acontecimento histórico. Twain tinha consciência que nascera sob um signo auspicioso e fazia muitas vezes referências jocosas ao facto. Quando o escritor morreu a 21 de Abril de 1910 o cometa Halley cruzava novamente os céus. Não parece coincidência a vida de um homem tão invulgar ser marcada por este tipo de efemérides. A sua existência desenrolou-se numa época em que ocorreram factos particularmente dramáticos da história dos E.U.A e ele conseguiu estar sempre no meio dos acontecimentos.

Samuel Clemens passou a sua infância num ambiente modesto, no seio de uma família respetivável de seis filhos, em Missouri. A família Clemens já se encontrava enraizada há alguns anos em Hannibal, Missouri quando o pai do jovem Samuel morreu, deixando a família numa situação financeira pouco favorável. Samual abandonou a escola aos doze anos de idade e teve diversos empregos invulgares antes de se tornar aprendiz de um tipográfo local. Nesta posição foi exposto a uma grande variedade de estilos de escrita , descobrindo que ele próprio detinha o talento e a ambição necessários para se tornar também um escritor. Não tardou a inicar a uma carreira como jornalista de viagens, escrevendo pequenos textos e artigos humorísticos para os jornais citadinos.

(continua)  

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Goethe

Wir erschrecken über unsere eigenen Sünden, wenn wir sie an anderen erblicken.



Wer nicht mehr liebt und nicht mehr irrt, der lasse sich begraben.


Wenn du eine weise Antwort verlangst, musst du vernünftig fragen.











Man is least himself when he talks in his own person. Give him a mask, and he will tell you the truth.


Oscar Wilde

The only thing worse than being talked about is not being talked about.


Oscar Wilde

Scandal is gossip made tedious by morality.


Oscar Wilde,
 
We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.


Oscar Wilde
 
What is a cynic? A man who knows the price of everything and the value of nothing.


Oscar Wilde

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Oracle Night

Engenhoso e surpreendente o fio condutor da história deste romance de Paul Auster. Um escritor, que depois de uma experiência muito marcante, tenta reorganizar o seu pequeno mundo. A compra de um bloco de notas de origem portuguesa, fá-lo encetar uma viagem catártica e vertiginosa, que mudará a sua mundividência de forma radical. Toda uma sequência de acontecimentos intrincados em duas, três ou mesmo quatro histórias mergulham o leitor num mundo repleto de dúvidas, incertezas e mesmo premonições. Hipnótico e viciante um romance que só nos dá descanso quando chegamos à derradeira frase.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Hino ao amor

Ainda que eu falasse línguas,
a dos homens e dos anjos, se não
tivesse amor, seria como sino
ruidoso ou como címbalo estridente.

Ainda que tivesse o dom da profecia, o
conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência;
ainda que tivesse toda a fé, a ponto de
transportar montanhas, se não tivesse amor, nada seria.

Ainda que distribuísse todos os meus bens
aos famintos, ainda que entregasse o meu
às chamas, se não tivesse amor, nada
disso me adiantaria.

O amor é paciente, o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho.

Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Thanks for the Memories - Cecelia Ahern


"Fecha os olhos e concentra-te na escuridão.
Era este o conselho que o meu pai me dava, quando era pequena e não conseguia adormecer. Acho que agora ele não quereria que eu o fizesse, mas, de qualquer das formas, dediquei-me plenamente à tarefa. Estou concentrada nessa escuridão imensa que se estende muito para além das minhas pálperas fechadas. Apesar de estar deitada no chão, imóvel, sinto-me como se estivesse empoleirada no ponto mais alto que pudesse estar, a tentar agarrar uma estrela no céu nocturno, com as pernas a balouçar por cima do vazio negro e frio. Olho uma última vez para os dedos que envolvem a luz e liliberto-a. Então desço, primeiro em queda livre, depois a flutuar, e novamente em queda, e espero pela aterragem na minha vida."

É assim que a autora de P.S. - Eu amo-te começa a sua obra recentemente traduzida para o Português. A história desenvolve-se ao estilo de uma comédia romântica, com o intuito nítido de se assemelhar a um argumento. A leitura é agradável e facilmente se consegue imaginar a personagem principal como protagonista num filme ao estilo do "P.S. I love you".

Saltitando entre os subúrbios de uma Irlanda conservadora e a metrópole londrina, perpassada pelo humor britânico, conferido pelas personagens estereotipadas, as suas "saídas" e comportamentos inesperados, a autora veicula de uma forma sublime a temática do encontro fortuito, cuja causa poderá ser mais ou menos controversa nos meios científicos.

Depois de um episódio infortuno, que a leva a uma depressão e à análise da sua vida até então, a personagem principal embarca na busca da sua verdadeira identidade, num toca e foge constante até, finalmente, aterrar no seu verdadeiro "eu" e nas escolhas que à partida seriam as mais certas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Silêncios em espera

Mais do que silenciar há que redifinir e reencontrar.

Sentou-se no chão frio, despejou a sua alma numa contemplação inexpressiva. O burburinho da hora de ponta já não o perturbava. Caiu! Ficou! Esperou!

Uma a uma, destemidas e vorazes, as vozes foram levantando o seu tom. As cores fundiram-se lentamente num desbotar suave e calmo. A inercia resistia aos cinzentos coloridos que o assolavam.

Um grito, um gesto de ternura, uma pequena atenção, a vida em todo o seu esplendor. A alegria de ali se encontrar, de ali amar.

O silenciar da euforia do toque da luxúria, sim!? a contemplação de paisagens exploradas, sentidas, perdidas, achadas...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Silêncio

O silêncio da introspecção
da análise, do retiro, da sabedoria...

O silêncio da timidez,
do embaraço, da vergonha, da exposição total...

O silêncio provocador,
da exclusão propositada, da malvadez, da morte...

O silêncio com as suas múltiplas interpretações e significados,
passíveis de muitos mal-entendidos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sentado no sentido

Caiu no interminável ruminar de ideias
Sem despotismo nem sensacionalismo
Deixou-se ficar, observou, analisou.

Flutuou sobre a imensidão
Reuniu toda a informação de si para si
Abriu os braços à aventura do ser.

Calou, sonhou, amou
Rodopiou e ganhou um mundo sem fim.

Freiheit

Geniesse Deine Freiheit
Man weiss nie wann ein kranker Mensch
Kommt um Dir Dein Frieden zu stehlen.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

If God was one of us?

Se Deus fosse um de nós na senda do seu caminho? Talvez esteja dentro de cada um de nós uma pequena centelha, que pouco a pouco se vai reunindo num espaço e tempo longíquos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Friedensnobelpreis für Liu Xiaobo

Friedensnobelpreisträger Liu Xiaobo, der Bürgerrechtler und Schriftsteller Liu Xiaobo, in China wegen "Untergrabung der Staatsgewalt" zu einer elfjährigen Haftstrafe verurteilt, erhält den Friedensnobelpreis. Die chinesische Regierung reagiert empört.

Der 54-jährige Oppositionelle werde für seinen "langen und gewaltlosen Kampf" für die Menschenrechte in China geehrt, erklärte der Präsident des Nobel-Komitees, Thorbjoern Jagland, am Freitag in Oslo. Der Friedensnobelpreis ist mit umgerechnet 1,1 Millionen Euro dotiert. Erstmals geht die seit 1901 vergebene Auszeichnung nach China.

Komitee trotzt Druck aus China
Das Nobelkomitee trotzt mit der Vergabe dem politischen Druck der chinesischen Führung. Die Regierung in Peking hatte mit einer Verschlechterung der Beziehungen zu Norwegen gedroht, sollte der Dissident den Preis bekommen. Liu Xiaobo war als Favorit gehandelt worden.

Der inhaftierte chinesische Bürgerrechtler ist auch Ehrenvorsitzer des PEN-Clubs unabhängiger chinesischer Schriftsteller. Der 54-jährige Dissident ist einer der führenden Köpfe hinter der "Charta 08", dem Appell für Demokratie und Menschenrechte in China. Das Manifest wurde im Dezember 2008 aus Anlass des 60. Jahrestages der Menschenrechtserklärung der Vereinten Nationen veröffentlicht und sieht sich in der Tradition der Charta 77 der früheren tschechoslowakischen Dissidenten.

Unter dem Vorwurf der "Untergrabung der Staatsgewalt" wurde Liu Xiaobo im Dezember 2009 zu elf Jahren Haft verurteilt. Der frühere Literaturdozent saß davor schon zweimal in Haft: Wegen seiner Beteiligung an der blutig niedergeschlagenen Demokratiebewegung 1989 kam er zwei Jahre in Haft, 1996 musste er wegen seiner Aktivitäten für drei Jahre in ein Umerziehungslager.

Staatsfeind Nummer Eins

Audio: Liu Xiaobo - Ein Porträt
4:34 Min
(© hr, 08.10.2010) Die Vergabe des Friedensnobelpreises an Liu Xiaobo ist ein Schlag ins Gesicht für die kommunistische Führung in Peking. Der 54-Jährige gilt als Staatsfeind Nummer Eins. Hohe Politiker der Regierung machen im privaten Gespräch keinen Hehl aus ihrer tiefen Abneigung gegenüber Liu Xiaobo und seinem demokratischen Ideengut in der "Charta 08".

"Wir durften doch nicht zulassen, dass Liu Xiaobo damit durchkommt", suchte jüngst ein Regierungsmitglied sogar noch Verständnis für die elfjährige Haftstrafe gegen den Bürgerrechtler - als wenn das Land vor Leuten wie Liu Xiaobo bewahrt werden müsste.

China reagiert empört

Wie die Nachrichtenagentur dapd meldete, hat die chinesische Regierung auf die Verleihung des Friedensnobelpreises an den Dissidenten Liu Xiaobo mit Empörung reagiert. Mit der Auszeichnung an den "Kriminellen" Liu Xiaobo verstoße das Nobelpreiskomitee gegen seine eigenen Prinzipien, erklärte die Staatsführung in Peking.

Kommenden Herbst erstes Buch in Deutschland
Der Verlag S. Fischer wird im Herbst kommenden Jahres in Deutschland das erste Buch des inhaftierten chinesischen Friedensnobelpreisträgers Liu Xiaobo auf den Markt bringen. "Als Dissident ist er sehr präsent. Aber es gibt kaum etwas von ihm zu lesen, schon gar nicht auf Deutsch", sagte der Programmleiter Sachbuch, Peter Sillem, am Freitag auf der Frankfurter Buchmesse. Es handelt sich um ausgewählte Schriften Lius, die von dessen Frau und der Präsidentin des unabhängigen PEN in China, Tienchi Martin-Liao, herausgegeben werden.

Der Friedensnobelpreis
Der Friedensnobelpreis gilt als bedeutendste internationale Auszeichnung im Bemühen um eine friedlichere Welt. Stifter des Preises ist der schwedische Erfinder des Dynamits, Alfred Nobel (1833-1896). In seinem Testament beauftragte er das norwegische Parlament, das Storting, jährlich bis zu drei Personen oder Organisationen für ihre Verdienste auszuzeichnen.

Die Preisträger sollen „den besten oder größten Einsatz für Brüderlichkeit zwischen Staaten, für die Abschaffung oder Abrüstung von stehenden Heeren sowie für die Organisation und Förderung von Friedenskonferenzen“ gezeigt haben. Mit dem Friedensnobelpreis wird seit 1960 auch der Einsatz für Menschenrechte und seit 2004 der für Umwelt geehrt.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Simplesmente!

Simplesmente, contemplando, agitando
O pensamento em vôo cadente, ondeando
Horizonte longíquo, inalcansável

Silhueta caída, perdida, fingida
Afectos desfeitos, iludidos no nada
Esperança rarefeita, descaída

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A vida de D. Afonso Henriques em 60 min

As crianças sentadas nas cadeiras dispostas em quatro filas jogam nos telemóveis, experimentam a câmara digital tirando fotos uns aos outros (ignorando a magnífica paisagem que se estende até à baia de Setúbal). São miúdos que conhecem todos os segredos desses gadgets tecnológicos e atentos a todas as novidades que saem, prontos a explorá-las sem demora.

As suas expressões denotam o que lhes vai na mente: "Que seca. Mais uma actividade cultural imposta pelos pais" (muitas vezes pelos avós)." São distibuídos os panfletos contendo toda a informação sobre a peça. Os adultos dizem-lhes para ler o resumo...

"Este é um retrato do nosso primeiro rei com suas glórias e vicissitudes, com suas conquistas e suas derrotas. O retrato de uma criança que herda um pedaço de terra lá para os lados de Astorga, de um adolescente que aprisiona a mãe, de um guerreiro que mata e que saqueia e que se zanga com o papa, de um conquistador temível que em nome do reino de Deus ataca sempre de surpresa, de um velho friorento que se liberta das mãos dos castelhanos e morre aprisionado nas memórias e nas imagens de todos nós."

... e explicam aos mais distraídos, e menos interessados pelo que faz parte de um passado longíquo, quem foi Afonso Henriques, o que é um poema épico de tradição oral e o que são crónicas.

Começa a peça, registam-se imagens:




De início os mais pequenos receiam o pior, principalmente na cena de enterro do pai de Afonso Henriques:



Mas pouco a pouco esse pressentimento vai desvanecendo-se. Ao longo de 60 minutos assistimos numa sequência de cenas coreografadas de forma simples, com recursos exiguos e com momentos de grande comicidade ao desfile da vida do conquistador e às suas grandes conquistas. A narrativa é simples e feita pelas personagens intervenientes, o humor é introduzido em momentos cruciais e a interacção com o público é um elemento de presença constante.

As gargalhadas ecoam entre as paredes do castelo, a atenção está inteiramente centrada no que se passa naquele pequeno espaço pavimentado a preto e branco. Acompanham-se as acrobacias, os gestos exagerados, as intervenções nonsense. E no fim Afonso Henriques afigura-se como uma personagem divertida, corajosa e "bué da fixe", mesmo depois da última cena carregada de dramatismo.

"Pai, afinal a Idade Média até era fixe e o Afonso também" ouve-se no final da peça.





Companhia de Teatro "O Bando"
Duração 60 minutos
Espectáculo estreado em Novembro 1982
Recriação estreada em Outubro 2009

terça-feira, 25 de maio de 2010

Rotina semanal

Tinha por hábito abrir um pacote de cigarros todas as Segundas-feiras e contar um a um, que ia fumando até ao final da semana. Descartava-os. Não os consumia como se de um acto de amor se tratasse. Limitava-se a fumá-los. Serviam-lhe de consolo por tudo o que tinha abandonado e amado. Sim, estava bem na vida, não podia queixar-se, mas a que preço? Já tinha vivenciado muito, tinha amado muitas mulheres, visitado muitos lugares, feito muito dinheiro. Mas faltava-lhe a única coisa que tinha deixado para trás, que um dia queria ter tido só para si. A única mulher que só seria sua quando tivesse a coragem de superar medos e derrubar escudos bem impregnados na sua personalidade. Bolas! Pensara que já tinha superado... Um dia o assunto haveria de se resolver e no fundo sabia que nesse dia seria o homem mais feliz do Universo. Só lhe faltava uma réstea de coragem. Sabia-o!

Ondeando

Um sorriso aberto a ocidente,
o despertar de uma sensação nova
o desespero de não alcançar, de não ter;
A nuvem de amargura sobre o ser
O negrume da tristeza pálida.

O rodopiar da rotina insaciável
A alegria dos encontros fortuitos
O amor no seu expoente máximo
E a mágoa do não haver.

O prazer puro da entrega à luxuria
A calma no fundo de um cachimbo
A incerteza da felicidade
Encontrada na recordação.

O coração num pranto desesperado
O sorriso numa desdita constante
A vontade de partir
De se entregar e de amar!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mehr als ich...

Über meinem Horizont
Allein auf Wolke sieben
Sehe ich die ganze Welt
Und versuche zu entfliehen;

Dich habe ich entlassen
Sich habe ich vergessen
Und nun ist nichts mehr
Und nun geht nichts mehr;

Zusammen auf der Erde
Auf dem höchsten Hügel
Umarmen wir uns
Für die ganze Welt
Und wollen nicht vergeben;

Ihn haben wir entlassen
Sie haben wir vergessen
Und es ist nur Uns
Und es bleibt nur Uns;

In Unruhe verloren auf einsamen Weg
In unzufriedener Umgebung

Dich habe ich entlassen
Sich habe ich vergessen
Und nun ist nichts mehr
Und nun geht nichts mehr;

Dich habe ich entlassen
Sich habe ich vergessen
Und nun ist nichts mehr
Und nun geht nichts mehr;
Saltitante, ondeando vejo-te num desespero estonteante
Sozinha, amarga amarras a saudade
Soltas um grito
Libertas-te do turpor
Sem qualquer pudor

Deixa que te leve
Para além do horizonte
Deixa que te ame
Com um sorriso a Norte

Ansiosa, nervosa ficas inerte à minha frente
Estonteias a tua sensatez
Abres um sorriso
Libertas o teu amor
Sem qualquer pudor

Deixa que te abrace
Para além de toda a eternidade
Deixa que te acaricie
Com mais do que fraternidade

Não me abandones
Ama-me para todo o sempre
Deixa-te ir sem amargura
Entrega-te à nossa ternura


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um cidade europeia

Sentada na pequena varanda virada para a rua, observava o burburinho da cidade. Estava debruçada sobre uma das mais emblemáticas ruas da cidade. Os lojistas dispunham a sua mercadoria de forma estratégica, para atrair o turista. Vendiam, sobretudo, o que os menos aficcionados da cultura popular designam de kitsch nacionalista. As montras amplas faziam questão de chamar a atenção sobre o seu conteúdo pela sua diversidade. Um ou outro expositor exibia com uma variedade cromática invejável as atracções turísticas da cidade e mesmo do País.

Nessa manhã não lia, tinha o pensamento vazio, inerte. Ao invés do que lhe era habitual preferiu retrair-se no seu espaço sem qualquer tipo de interacção. Ficou ali a observar. Aquela mulher insegura de chapéu de palha e de calções, notoriamente estrangeira, acompanhada por um homem bastante mais novo, cheio de vaidade e auto-confiança. Constratavam não se pela idade e pela postura, mas pela forma como abordavam o meio que os rodeava. Não obstante, quando trocaram olhares a cumplicidade e o companheirismo era incontestável. Ninguém podia negar que eram amantes. Não era ocasional nem passageiro, não, eram amantes no verdadeiro sentido (...)
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